Quando Luisa Czeczelski passou a frequentar o Projari – Associação Beneficente São José –, em Guaíba-RS, com apenas cinco anos de idade, não imaginou que as melodias ouvidas nas aulas de violino guiariam sua escolha profissional, transformando a sua vida.

Imagem fornecida pela própria Luisa.

Despretensiosamente, ela passou a conhecer na prática a essência de um projeto social que já era presente em seu dia a dia por alguns motivos: sua família tem uma forte relação com o projeto e sua mãe atua como voluntária, e Luisa mora na região, facilitando o acesso a informações sobre a instituição.

O Projari nasceu em 1987 para atuar em prol das comunidades carentes de Guaíba, utilizando várias iniciativas como ferramentas para a formação integral do ser humano. Há 35 anos é referência no desenvolvimento de crianças e adolescentes ao promover diversas atividades de caráter socioeducativo, artístico, informativo, cultural, profissionalizante e de lazer sob a forma de cursos e oficinas. 

Um verdadeiro exercício de cidadania – base do trabalho realizado pela instituição sem fins lucrativos – que também fornece alimentação aos participantes e às famílias conta com o suporte de uma rede de apoio formada por voluntários e empresas.  

Inclusão social com acordes musicais

No Projari os alunos podem participar de até três oficinas semanais, da mesma modalidade. Mais do que técnicas, as aulas dos cursos são complementadas por ações com foco na formação humana integral, o que inclui atendimento às dimensões física, cognitiva, psíquica e emocional.

Imagem fornecida pelo Projari.

Desta forma, quando um aluno ingressa, por exemplo, nas aulas de violino, viola, violoncelo, percussão, musicalização, canto, flauta etc., ele desenvolve aptidões musicais (instrumento, canto, percepção e leitura musical) e habilidades como disciplina, foco, raciocínio lógico, performance e desenvoltura.

Foi assim com Luisa, que iniciou as aulas de violino por incentivo de uma amiga e acabou se encantando por esse universo.  Um tempo depois, ela passou a integrar outro projeto da área cultural e, claro, do mundo da música: a Orquestra do Projari, que nasceu em 2013 e já atendeu, até hoje, cerca de 800 alunos no curso, além de realizar apresentações em eventos na cidade de Guaíba, entre outros.

Sonho que se sonha junto vira realidade

Mesmo diante da insegurança de ter a música como profissão, Luisa foi desenhando o seu sonho sempre com o apoio familiar, permanecendo como aluna no Projari até completar 18 anos, quando partiu para realizar o sonho de fazer a faculdade de música.

Essa conquista virou realidade em 2021 ao entrar na faculdade. Por conta da pandemia, primeiro passou em uma faculdade fora da capital, mas quando abriram as inscrições para o vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que era o seu sonho, não pensou duas vezes e prestou um novo vestibular.

Hoje, Luisa está cursando o quarto dos oito semestres para ter o bacharelado de música, consagrando a trajetória nascida no Projari, que despertou o talento da agora professora de violino do projeto social. Ela aceitou o convite após a instituição saber que ela tinha entrado na faculdade.

“Tudo foi me direcionando, nunca pensei em dar aula, por isso por acaso comecei dando aulas particulares de violino e, para minha surpresa, percebi que tenho o dom de ensinar”, comenta com a certeza de que a música nunca sairá do seu caminho. Afinal, as metas futuras são: fazer mestrado, doutorado, seguir na área acadêmica, falar sobre música, pesquisar as raízes musicais e muito mais! 

Mas, principalmente, ela quer continuar ajudando as pessoas por meio da música, perpetuando a semente de um projeto social que não poderia ser mais afinado com o propósito de tornar sonhos em realidade.

A TKE apoia várias iniciativas do Projari, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, uma parceria de longa data, incluindo a Orquestra e, mais recentemente, as iniciativas na área de esportes da instituição. Todas sinalizam caminhos com mais oportunidades para os alunos que, saindo ou não de lá como profissionais, tornam-se cidadãos prontos para um futuro melhor.

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